Dunga é mais do que mediocre. É medroso. Ele não gosta de craques, embora deva seu único título mundial a um craque, no caso Romário. Agora Ricardo teixeira inventou Dunga como técnico e o treinador segurou o seu banco, porque venceu alguns torneios de segunda linha, como a Copa América e a Copa das Confederações.
Todos títulos menos importantes.
Para o futebol mundial, o que importa mesmo é a Copa do Mundo. Só para ela, as maiores pátrias futebolísticas do mundo abrem mão de seus campeonatos internos e os grandes clubes aceitam ceder seus craques por um período mais longo de preparação. Para os outros torneios caça-níqueis não há esta facilidade; os jogadores são liberados em cima da hora e a preparação é pífia. Assim, os resultados desses jogos são enganosos. As principais seleções estão longe do que vão ser na Copa do Mundo. Ai vai falar mais alto a tradição da Argentina (com Messi), da Itália, da Inglaterra (com Rooney), da Holanda, da Alemanha, dos Africanos, da França renovada, de uma Dinamarca, que pode surpreender, de Portugal, com Cristiano querendo estourar e da impressionante Fúria espanhola.
Quem tem visto os jogos da Fúria sabe que o caminho do Brasil não será dos mais fáceis, portanto contar com Neymar e Ronaldinho poderia transformar um caminho de pedras em um gramado amigável.
A propósito, quem assiste atualmente aos jogos do Santos, para ver Robinho, vê Neymar.
Política, comunicação social, inovações, idéias, esportes e entretenimento. O tudo e o nada.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Bela análise de Marcos Coimbra
15/04/2010 - 10:26
15/04/2010
Num país de voto compulsório, a grande parcela do eleitorado desinteressada de política não quer ter trabalho de comparar biografias ou governos. Tende ao voto mais fácil. Se está satisfeito, opta pela continuidade. É assim que Marcos Coimbra resume suas convicções no favoritismo da candidata do PT – “Ela é favorita, o que não quer dizer que vai ganhar”.
No Vox Populi desde 1987, depois que concluiu o doutorado em Ciência Política na Universidade de Manchester, Coimbra hoje é seu diretor de pesquisas. E as realiza tanto para o PT de Dilma Rousseff quanto para o PSDB de José Serra.
Aos 59 anos, carioca radicado em Belo Horizonte, Coimbra transformou o amplo apartamento onde morava, no bairro de Serra, no escritório onde trabalha sozinho, longe do burburinho do Vox. Foi nesse apartamento, entre obras de Iran do Espírito Santo, Vik Muniz, Mario Cravo Neto e Cildo Meirelles, onde, na tarde de segunda-feira, falou ao Valor.
Valor: Esta campanha vai ser uma disputa de biografias ou uma comparação de governos?
Marcos Coimbra: Esse é o cabo de guerra em que as duas principais forças políticas brasileiras estão envolvidas hoje. O Lula e o PT procurando trazer a eleição para essa comparação de projetos, enquanto a oposição e Serra tentando transformar a eleição numa guerra de biografias. Lula sabe que a grande maioria compara favoravelmente o governo dele em praticamente todos os aspectos e gosta mais dele do que do último presidente. Então, para o PSDB só resta a comparação da biografia, mas não acredito que se consiga mudar essa percepção ao longo da campanha. Acho muito pouco provável que tenha sucesso essa estratégia de convencer a população que tudo que há de bom, se é que há alguma coisa de bom no governo Lula, vem do antecessor.
Valor: Este terço que Serra obtém em pesquisas não embute uma comparação favorável ao PSDB?
Coimbra: Francamente não creio. Esse terço de Serra é a soma de várias razões. É um componente anti-Lula e anti-PT do eleitor que pode até ter uma avaliação razoável, satisfatória do atual governo, mas que não gostaria que o PT tivesse mais quatro anos. É um desagrado que iria para quem quer que fosse o adversário da continuidade. Tem outro componente que é a admiração pessoal por ele. E o peso de São Paulo que acompanha sua administração e já votou nele uma meia dúzia de vezes. Fora do Estado também há muita gente que admira o que ele fez na Saúde.
Valor: Mas isso é suficiente para a permanência de Serra nessa faixa de 30% a 40% há tantos anos?
Coimbra: O fato de Serra ser governador muito bem avaliado, com história antiga no maior Estado do país, é parte da explicação. São Paulo tem mais de 20% do eleitorado. E uma parte ainda vem do antipetismo que se encontra com frequência na classe média do Sul e do Sudeste. Tolera Lula porque aprendeu a conviver com ele, mas só o Lula.
Valor: São dois candidatos egressos da esquerda que combateu a ditadura e um terceiro nunca identificado ao conservadorismo. O que explica este divórcio com um eleitorado que, como qualquer outro, tem sua fatia conservadora?
Coimbra: Isso tem a ver com a experiência de uns tantos anos de ditadura que, ao terminar, tinha deslocado qualquer discurso que não fosse de esquerda. Isso aconteceu há muito tempo, mas parte da elite política ainda vem desse ciclo. O que o eleitor ainda tem para situar não é apenas a trajetória do candidato, mas uma visão mais ampla dos aliados . O PSDB tomou uma decisão, no início dos anos 90, de que a única maneira de chegar ao poder, dado que o PT tinha um candidato posicionado em torno de 40%, seria em aliança com a direita. Isso definiu a natureza do jogo político e ideológico. Passou a ser difícil olhar para os candidatos do PSDB e vê-los como egressos de uma prática de esquerda.
Valor: O eleitor não identifica claramente a aliança do PT com os partidos de direita?
Coimbra: Não, porque pela natureza do PT, pelo modo como entrou na política e foi objeto de tomadas de posições antagônicas, ocupou o território da esquerda.
Valor: O fato de Dilma ter se envolvido com a luta armada até que ponto agrega ou retira votos?
Coimbra: É um sentimento minoritário. A impressão que tenho, vendo pesquisas qualitativas, é que uma parte grande do jovem eleitor – e 30% do eleitorado tem menos de 30 anos – foi educada dentro de valores muito mais favoráveis a quem estava lutando contra a ditadura.
Valor: A classe média tradicional que paga mensalidades caras para o filho concorrer com cotistas, assiste o trânsito piorar com carros vendidos a 96 prestações e se vê espremida entre a base e o topo da pirâmide social, não é o germe desse conservadorismo?
Coimbra: O antipetismo da classe média tem mais a ver com valores políticos e ideológicos, e não com causalidade socioeconômica. Não sei avaliar o tamanho dessa insatisfação porque o desenvolvimento beneficiou de forma razoavelmente homogênea a sociedade como um todo. Pelo menos não vejo reflexo nas pesquisas. Parte da classe média não desgosta do PT porque perdeu dinheiro, status ou consumo. Apenas não gosta.
Valor: O eleitor pode ganhar mais?
Coimbra: Ganhar mais é sempre aposta de risco para o eleitor. Ele está acostumado a ouvir promessas. E em grande parte por isso às vezes se contenta com algo bem menos exigente, que é não perder. O que esta eleição tem de diferente é que agora esses dois lados não vão se contrapor em termos do que prometem, mas do que fazem quando chegam ao poder. O eleitor não vai mais olhar para o petismo e imaginar que tudo vai ser bom. Embora Lula tenha 80% de aprovação, quando você olha política por política percebe que a avaliação positiva não é homogênea.
Valor: Da disputa entre Serra e Aécio em Minas resiste um sentimento antipaulista?
Coimbra: Sim e não. Numa certa parte da elite política local sim, mas como um sentimento relevante no eleitorado, não.
Valor: A intenção de voto dos candidatos flutua muito de Estado a Estado. Os problemas regionais não influenciarão o resultado eleitoral?
Coimbra: Não acho que seja relevante. O fato de Dilma não ter candidatos fortes em alguns Estados não tem relação com a sua intenção de voto e a mesma coisa em relação ao Serra. O Serra tem problema no palanque gaúcho e lá tem vinte pontos a mais que a Dilma.
Valor: A situação no RS é muito diferente do quadro nacional, e não é de agora, por que isso?
Coimbra: No Rio Grande do Sul, o quadro é largamente favorável a Serra. No Paraná, nem tanto, em Santa Catarina, não são. Nos Estados onde há uma percepção de uma grande melhora nos últimos oito anos, há uma clara tendência na aposta à continuidade.
Valor: Aécio terá mais capacidade de puxar voto para o PSDB nacional em Minas do que em 2006?
Coimbra: Em 2006 ele era o candidato à reeleição, fez tudo que estava em seu alcance e quem ganhou em Minas foi o Lula. Acho que Lula tem mais força eleitoral que Dilma, mas quando o eleitor quer fazer uma aposta na eleição presidencial, dificilmente o entorno é tão relevante.
Valor: Minas hoje tende à continuidade ou à mudança?
Coimbra: Minas tende à continuidade nos dois planos, no estadual e no federal. Embora hoje quem esteja na frente na eleição para governador e para presidente represente mudanças.
Valor: E o que o leva a concluir isso?
Coimbra: O eleitor não conhece suficientemente nem Anastasia nem Dilma. A tendência é que a vantagem do Serra diminua em relação à Dilma e a do Hélio Costa em relação ao Anastasia também.
Valor: No caso de SP, o que explica os mais de 50% de Alckmin?
Coimbra: Alckmin foi o governador mais bem avaliado da história recente de São Paulo. Mais bem avaliado que o Serra e que o Covas. O voto no Alckmin tem uma densidade muito maior do que outros candidatos que têm o recall como sua explicação fundamental.
Valor: Ele extrapola a força do PSDB no Estado?
Coimbra: Várias vezes. Bem, a força do PSDB, como sabemos, não é uma coisa muito relevante nem mesmo em São Paulo.
Valor: Marina tem potencial para levar a eleição ao segundo turno?
Coimbra: Com todo o risco envolvido em uma resposta tão longe da eleição, diria que não.
Valor: Mesmo considerando os candidatos nanicos?
Coimbra: Os nanicos, mesmo se forem muitos, dificilmente vão passar de 2,5% dos votos. O cenário de crescimento da Marina é muito desfavorável. De um lado ela pode ser espremida por duas candidaturas que cedo polarizam. Se o Ciro disputar, aumenta o cenário de crescimento dela, porque deixa uma eleição menos polarizada. Sem Ciro, o horizonte dela é menor. Porque faz com que grande parcela do eleitorado pense que tem que resolver logo.
Valor: Ela tem um potencial menor do que Heloisa Helena em 2006?
Coimbra: O eleitor que olhou com interesse para a Heloísa Helena e acabou votando nela tinha um componente de protesto à esquerda contra o mensalão. Esse elemento na eleição deste ano não é significativo e Marina não expressa isso. Ela não se posiciona politicamente, mas em favor da agenda ambiental.
Valor: Ela tem a limitação de um candidato temático como o Cristovam em 2006?
Coimbra: Sim, mas ela pode ir um pouco além. O tempo de TV reservado à divisão igualitária é 30% do total. Se dividisse por quatro, daria um minuto e pouco para cada. Somado ao tempo do PV já seria expressivo, mas como deve haver muitos nanicos, ela vai acabar tendo um pouco mais que Eymael.
Valor: Lula tem aprovação maior entre as mulheres e Dilma um patamar de intenção de votos também mais baixo nesse eleitorado. Ela soma a rejeição das eleitoras pelo fato de ser mulher e apoiada por Lula?
Coimbra: Não, nem uma coisa nem outra. Ela tem uma menor participação no voto feminino porque é maior a proporção de desinformação e não envolvimento com temas políticos e administrativos nesse eleitorado.
Valor: Mas por outro lado é a mulher que leva o filho ao posto de saúde e luta por vaga em escola pública. Isso não lhe dá uma experiência de como funcionam os governos?
Coimbra: Sim, mas é uma experiência de cotidiano
Valor: Despolitizante?
Coimbra: Não é despolitizante, mas pode ser despolitizada. Essa experiência é uma fonte de politização, mas tem que ser politizada. E isso, lamentavelmente, não acontece na nossa sociedade.
Valor: Esse grau de desinformação ainda explica o voto num país onde as mulheres já são mais da metade em muitas universidades?
Coimbra: O diferencial de envolvimento e de participação política entre homens e mulheres continua a ser explicado pelo grau de informação no mundo inteiro. Essa diferença tende a desaparecer com o tempo, mas ainda é um elemento da cultura política brasileira.
Valor: O senhor quer dizer que o universo de mulheres bem informadas confrontado ao de homens bem informados não são diferentes?
Coimbra: Sim. E mulheres mais velhas, especialmente, tendem a ter uma maior dificuldade de participação política. Entre os jovens, as diferenças de intenção de voto por gênero são quase irrelevantes. Vão ficando mais significativas à medida que se avança na idade e na zona rural.
Valor: Só não fica claro por que isso prejudica Dilma e não Serra.
Coimbra: Porque isso está ligado à possibilidade de se estar mais familiarizado com alguém que já foi candidato a presidente e ministro da Saúde. O nível de conhecimento dele é mais alto em todas as faixas. Naquelas em que o nível de informação e de participação é muito baixo, o nível de conhecimento da Dilma é muito menor do que o do Serra.
Valor: A associação de Dilma com Lula também é mais baixa nesse estrato?
Coimbra: Sim, muito mais baixa que a média. E essa é a razão para o prognóstico favorável a sua candidatura. A vantagem do Serra vem quando se agrega a grande parcela que não conhece a Dilma. Quando se neutraliza o efeito desconhecimento, ela já está na frente. Claro que há a suposição de que quando todos os que não a conhecem se comportarem de uma maneira pior para ela do que os primeiros, ela cai, mas se eles se comportarem de maneira mais favorável, ela sobe. E a composição do eleitorado que a desconhece lhe favorece. Tem menor escolaridade, mais Bolsa Família e que está na periferia dos grandes centros e nas regiões menos desenvolvidas.
Valor: Quem estaria então mais próximo do teto seria o Serra?
Coimbra: Sim, mas ele tem um piso muito alto.
Valor: O eleitorado no Brasil tem tido um descolamento entre escolaridade e renda. O que deriva disso?
Coimbra: A melhora no perfil do acesso à escola é muitas vezes mais acentuada do que a dos indicadores de desigualdade. Como houve nos últimos 20 anos uma melhoria grande no valor do salário mínimo, se a comparação é em termos de unidades de salário mínimo, pode-se ficar com um retrato inexato de que os pobres permaneceram nos mesmos lugares com a melhoria da renda, do poder de compra e a redução do preço de alguns produtos. O resultado é que todo mundo melhorou um pouco, mas mantendo a desigualdade.
Valor: Essa evolução da escolaridade favorece uma campanha mais temática, comparativamente a uma sucessão de ataques pessoais?
Coimbra: Essa evolução aponta para uma parcela cada vez maior de eleitores em condições de consumir informação mais qualificada e até esperando receber do jogo eleitoral mais do que uma dúzia de chavões e frases de efeito, mas é preciso atentar para o ritmo dessas mudanças sobre o resultado quando se tem o voto compulsório. Essas senhoras que não têm interesse, não têm informação, não se envolvem em questões político-eleitorais, vão votar. Em quase todos os países desenvolvidos do mundo, quem tem esse perfil não vota.
Valor: Essa evolução do grau de instrução não leva a uma decisão de voto que independe mais da classe?
Coimbra: Uma das coisas que aconteceram no Brasil nestes 25 anos de redemocratização é a formação de uma sociedade política em que as pessoas têm lado e partido. Eu sou isso, sou aquilo. E essa formação de identidade política atravessa essas dimensões socioeconômicas. Tem petista e tucano morando no mesmo prédio. O modo como se estruturam essas identidades não é clássico, não é em torno de partidos, não porque o brasileiro não goste de partido, mas porque não se permitiu que isso acontecesse.
Valor: Mas Lula insiste na estratificação entre pobres e ricos…
Coimbra: Ele sabe que isso não é a realidade. Você tem uma parcela não pequena das grandes fortunas brasileiras muito satisfeita com o atual governo. Dilma não vai ser votada pelos pobres e Serra pelos ricos.
Valor: Mas não foi isso que aconteceu entre Lula e Alckmin em 2006?
Coimbra: O mensalão estava muito presente. Cinco anos depois acredito que é um assunto vencido, não porque as pessoas tenham ficado satisfeitas com ele, mas porque foi digerido pela sociedade.
Valor: Por que o senhor vê Dilma como favorita?
Coimbra: Porque a maioria tem o sentimento a favor da continuidade, tem um envolvimento pequeno com a discussão política, com a comparação das propostas, das biografias e opta pelo modelo de decisão mais simples. Isso não é verdade no Brasil pelas nossas deficiências. Isso é verdade em todas as democracias. Ainda mais no regime de sufrágio universal e compulsório em que a parcela de eleitores de baixa ou pequena motivação é majoritária. Esses eleitores costumam preferir a escolha de custo menor que demanda menos tempo, menos stress e pode ser resumida numa pergunta tão simples como ” Você está satisfeito?”
Valor: A inércia pela continuidade será o determinante?
Coimbra: É claro que há brecha para mudança. Todo mundo lembra do que acabou de acontecer no Chile, onde uma presidente com 80% de aprovação não fez o sucessor, mas a Concertación estava há 20 anos no poder. No Brasil, o sentimento “está na hora de mudar” não comanda. Vide o PSDB que está há 16 anos no governo de São Paulo e tem um candidato que tem condições muito favoráveis. Vinte anos do PSDB no principal Estado da federação não causa espanto a ninguém. Por quê? Um candidato bom veio depois de um bom governo. No plano nacional, há um sentimento de que o outro lado teve décadas de poder. Em parte as pessoas acham que estes oito anos de PT ainda são pouco frente ao que a outra turma teve.
Valor: Mas a ideia da continuidade já teve grandes derrotas.
Coimbra: A ideia de continuidade funciona no Brasil em eleições municipais e estaduais. Agora vamos ter presidenciais. Não tínhamos tido em 1989 porque o Sarney não tinha candidato, em 1994 Itamar foi engolido pelo sucessor. Fernando Henrique perdeu porque não havia ali as condições que temos hoje, em que o desejo de continuidade é maioria. Serra era o candidato da continuidade numa eleição marcada pela mudança.
Valor: E agora ele é o candidato da mudança numa eleição marcada pela continuidade?
Coimbra: Sim, esse é o problema. Em 2002, 10% das pessoas diziam que o próximo presidente deveria manter tudo o que estava sendo feito e 40% diziam que o próximo deveria mudar tudo. Hoje esses números são inversos. Dilma é favorita por essa razão. Ser favorita não quer dizer ganhar, mas ter uma perspectiva muita positiva.
Valor: O discurso do pós-Lula, nessa análise, tem vida curta?
Coimbra: Quer dizer o quê? Vai manter ou vai mudar? Vai manter o que está certo e mudar o que está errado? Mas isso não quer dizer nada. Não convence.
Valor: Mas o slogan de ‘O Brasil pode mais’ não é uma tentativa de se contornar a continuidade?
Coimbra: Sim, para o eleitor atento. Essa proposta implica um elevado investimento pessoal no processo eleitoral. Você tem que aprofundar o conhecimento das propostas, o conhecimento minucioso do que foi feito e deixou de ser feito, identificar o que é realista e que pode ser feito no futuro, ou seja, exige um conjunto de características pessoais do eleitor que não são fáceis aqui nem em qualquer lugar do mundo.
As eleições, segundo Coimbra
Do Valor
“Continuidade custa menos para eleitor”
César Felício e Maria Cristina Fernandes, de Belo Horizonte15/04/2010
Num país de voto compulsório, a grande parcela do eleitorado desinteressada de política não quer ter trabalho de comparar biografias ou governos. Tende ao voto mais fácil. Se está satisfeito, opta pela continuidade. É assim que Marcos Coimbra resume suas convicções no favoritismo da candidata do PT – “Ela é favorita, o que não quer dizer que vai ganhar”.
No Vox Populi desde 1987, depois que concluiu o doutorado em Ciência Política na Universidade de Manchester, Coimbra hoje é seu diretor de pesquisas. E as realiza tanto para o PT de Dilma Rousseff quanto para o PSDB de José Serra.
Aos 59 anos, carioca radicado em Belo Horizonte, Coimbra transformou o amplo apartamento onde morava, no bairro de Serra, no escritório onde trabalha sozinho, longe do burburinho do Vox. Foi nesse apartamento, entre obras de Iran do Espírito Santo, Vik Muniz, Mario Cravo Neto e Cildo Meirelles, onde, na tarde de segunda-feira, falou ao Valor.
Valor: Esta campanha vai ser uma disputa de biografias ou uma comparação de governos?
Marcos Coimbra: Esse é o cabo de guerra em que as duas principais forças políticas brasileiras estão envolvidas hoje. O Lula e o PT procurando trazer a eleição para essa comparação de projetos, enquanto a oposição e Serra tentando transformar a eleição numa guerra de biografias. Lula sabe que a grande maioria compara favoravelmente o governo dele em praticamente todos os aspectos e gosta mais dele do que do último presidente. Então, para o PSDB só resta a comparação da biografia, mas não acredito que se consiga mudar essa percepção ao longo da campanha. Acho muito pouco provável que tenha sucesso essa estratégia de convencer a população que tudo que há de bom, se é que há alguma coisa de bom no governo Lula, vem do antecessor.
Valor: Este terço que Serra obtém em pesquisas não embute uma comparação favorável ao PSDB?
Coimbra: Francamente não creio. Esse terço de Serra é a soma de várias razões. É um componente anti-Lula e anti-PT do eleitor que pode até ter uma avaliação razoável, satisfatória do atual governo, mas que não gostaria que o PT tivesse mais quatro anos. É um desagrado que iria para quem quer que fosse o adversário da continuidade. Tem outro componente que é a admiração pessoal por ele. E o peso de São Paulo que acompanha sua administração e já votou nele uma meia dúzia de vezes. Fora do Estado também há muita gente que admira o que ele fez na Saúde.
Valor: Mas isso é suficiente para a permanência de Serra nessa faixa de 30% a 40% há tantos anos?
Coimbra: O fato de Serra ser governador muito bem avaliado, com história antiga no maior Estado do país, é parte da explicação. São Paulo tem mais de 20% do eleitorado. E uma parte ainda vem do antipetismo que se encontra com frequência na classe média do Sul e do Sudeste. Tolera Lula porque aprendeu a conviver com ele, mas só o Lula.
Valor: São dois candidatos egressos da esquerda que combateu a ditadura e um terceiro nunca identificado ao conservadorismo. O que explica este divórcio com um eleitorado que, como qualquer outro, tem sua fatia conservadora?
Coimbra: Isso tem a ver com a experiência de uns tantos anos de ditadura que, ao terminar, tinha deslocado qualquer discurso que não fosse de esquerda. Isso aconteceu há muito tempo, mas parte da elite política ainda vem desse ciclo. O que o eleitor ainda tem para situar não é apenas a trajetória do candidato, mas uma visão mais ampla dos aliados . O PSDB tomou uma decisão, no início dos anos 90, de que a única maneira de chegar ao poder, dado que o PT tinha um candidato posicionado em torno de 40%, seria em aliança com a direita. Isso definiu a natureza do jogo político e ideológico. Passou a ser difícil olhar para os candidatos do PSDB e vê-los como egressos de uma prática de esquerda.
Valor: O eleitor não identifica claramente a aliança do PT com os partidos de direita?
Coimbra: Não, porque pela natureza do PT, pelo modo como entrou na política e foi objeto de tomadas de posições antagônicas, ocupou o território da esquerda.
Valor: O fato de Dilma ter se envolvido com a luta armada até que ponto agrega ou retira votos?
Coimbra: É um sentimento minoritário. A impressão que tenho, vendo pesquisas qualitativas, é que uma parte grande do jovem eleitor – e 30% do eleitorado tem menos de 30 anos – foi educada dentro de valores muito mais favoráveis a quem estava lutando contra a ditadura.
Valor: A classe média tradicional que paga mensalidades caras para o filho concorrer com cotistas, assiste o trânsito piorar com carros vendidos a 96 prestações e se vê espremida entre a base e o topo da pirâmide social, não é o germe desse conservadorismo?
Coimbra: O antipetismo da classe média tem mais a ver com valores políticos e ideológicos, e não com causalidade socioeconômica. Não sei avaliar o tamanho dessa insatisfação porque o desenvolvimento beneficiou de forma razoavelmente homogênea a sociedade como um todo. Pelo menos não vejo reflexo nas pesquisas. Parte da classe média não desgosta do PT porque perdeu dinheiro, status ou consumo. Apenas não gosta.
Valor: O eleitor pode ganhar mais?
Coimbra: Ganhar mais é sempre aposta de risco para o eleitor. Ele está acostumado a ouvir promessas. E em grande parte por isso às vezes se contenta com algo bem menos exigente, que é não perder. O que esta eleição tem de diferente é que agora esses dois lados não vão se contrapor em termos do que prometem, mas do que fazem quando chegam ao poder. O eleitor não vai mais olhar para o petismo e imaginar que tudo vai ser bom. Embora Lula tenha 80% de aprovação, quando você olha política por política percebe que a avaliação positiva não é homogênea.
Valor: Da disputa entre Serra e Aécio em Minas resiste um sentimento antipaulista?
Coimbra: Sim e não. Numa certa parte da elite política local sim, mas como um sentimento relevante no eleitorado, não.
Valor: A intenção de voto dos candidatos flutua muito de Estado a Estado. Os problemas regionais não influenciarão o resultado eleitoral?
Coimbra: Não acho que seja relevante. O fato de Dilma não ter candidatos fortes em alguns Estados não tem relação com a sua intenção de voto e a mesma coisa em relação ao Serra. O Serra tem problema no palanque gaúcho e lá tem vinte pontos a mais que a Dilma.
Valor: A situação no RS é muito diferente do quadro nacional, e não é de agora, por que isso?
Coimbra: No Rio Grande do Sul, o quadro é largamente favorável a Serra. No Paraná, nem tanto, em Santa Catarina, não são. Nos Estados onde há uma percepção de uma grande melhora nos últimos oito anos, há uma clara tendência na aposta à continuidade.
Valor: Aécio terá mais capacidade de puxar voto para o PSDB nacional em Minas do que em 2006?
Coimbra: Em 2006 ele era o candidato à reeleição, fez tudo que estava em seu alcance e quem ganhou em Minas foi o Lula. Acho que Lula tem mais força eleitoral que Dilma, mas quando o eleitor quer fazer uma aposta na eleição presidencial, dificilmente o entorno é tão relevante.
Valor: Minas hoje tende à continuidade ou à mudança?
Coimbra: Minas tende à continuidade nos dois planos, no estadual e no federal. Embora hoje quem esteja na frente na eleição para governador e para presidente represente mudanças.
Valor: E o que o leva a concluir isso?
Coimbra: O eleitor não conhece suficientemente nem Anastasia nem Dilma. A tendência é que a vantagem do Serra diminua em relação à Dilma e a do Hélio Costa em relação ao Anastasia também.
Valor: No caso de SP, o que explica os mais de 50% de Alckmin?
Coimbra: Alckmin foi o governador mais bem avaliado da história recente de São Paulo. Mais bem avaliado que o Serra e que o Covas. O voto no Alckmin tem uma densidade muito maior do que outros candidatos que têm o recall como sua explicação fundamental.
Valor: Ele extrapola a força do PSDB no Estado?
Coimbra: Várias vezes. Bem, a força do PSDB, como sabemos, não é uma coisa muito relevante nem mesmo em São Paulo.
Valor: Marina tem potencial para levar a eleição ao segundo turno?
Coimbra: Com todo o risco envolvido em uma resposta tão longe da eleição, diria que não.
Valor: Mesmo considerando os candidatos nanicos?
Coimbra: Os nanicos, mesmo se forem muitos, dificilmente vão passar de 2,5% dos votos. O cenário de crescimento da Marina é muito desfavorável. De um lado ela pode ser espremida por duas candidaturas que cedo polarizam. Se o Ciro disputar, aumenta o cenário de crescimento dela, porque deixa uma eleição menos polarizada. Sem Ciro, o horizonte dela é menor. Porque faz com que grande parcela do eleitorado pense que tem que resolver logo.
Valor: Ela tem um potencial menor do que Heloisa Helena em 2006?
Coimbra: O eleitor que olhou com interesse para a Heloísa Helena e acabou votando nela tinha um componente de protesto à esquerda contra o mensalão. Esse elemento na eleição deste ano não é significativo e Marina não expressa isso. Ela não se posiciona politicamente, mas em favor da agenda ambiental.
Valor: Ela tem a limitação de um candidato temático como o Cristovam em 2006?
Coimbra: Sim, mas ela pode ir um pouco além. O tempo de TV reservado à divisão igualitária é 30% do total. Se dividisse por quatro, daria um minuto e pouco para cada. Somado ao tempo do PV já seria expressivo, mas como deve haver muitos nanicos, ela vai acabar tendo um pouco mais que Eymael.
Valor: Lula tem aprovação maior entre as mulheres e Dilma um patamar de intenção de votos também mais baixo nesse eleitorado. Ela soma a rejeição das eleitoras pelo fato de ser mulher e apoiada por Lula?
Coimbra: Não, nem uma coisa nem outra. Ela tem uma menor participação no voto feminino porque é maior a proporção de desinformação e não envolvimento com temas políticos e administrativos nesse eleitorado.
Valor: Mas por outro lado é a mulher que leva o filho ao posto de saúde e luta por vaga em escola pública. Isso não lhe dá uma experiência de como funcionam os governos?
Coimbra: Sim, mas é uma experiência de cotidiano
Valor: Despolitizante?
Coimbra: Não é despolitizante, mas pode ser despolitizada. Essa experiência é uma fonte de politização, mas tem que ser politizada. E isso, lamentavelmente, não acontece na nossa sociedade.
Valor: Esse grau de desinformação ainda explica o voto num país onde as mulheres já são mais da metade em muitas universidades?
Coimbra: O diferencial de envolvimento e de participação política entre homens e mulheres continua a ser explicado pelo grau de informação no mundo inteiro. Essa diferença tende a desaparecer com o tempo, mas ainda é um elemento da cultura política brasileira.
Valor: O senhor quer dizer que o universo de mulheres bem informadas confrontado ao de homens bem informados não são diferentes?
Coimbra: Sim. E mulheres mais velhas, especialmente, tendem a ter uma maior dificuldade de participação política. Entre os jovens, as diferenças de intenção de voto por gênero são quase irrelevantes. Vão ficando mais significativas à medida que se avança na idade e na zona rural.
Valor: Só não fica claro por que isso prejudica Dilma e não Serra.
Coimbra: Porque isso está ligado à possibilidade de se estar mais familiarizado com alguém que já foi candidato a presidente e ministro da Saúde. O nível de conhecimento dele é mais alto em todas as faixas. Naquelas em que o nível de informação e de participação é muito baixo, o nível de conhecimento da Dilma é muito menor do que o do Serra.
Valor: A associação de Dilma com Lula também é mais baixa nesse estrato?
Coimbra: Sim, muito mais baixa que a média. E essa é a razão para o prognóstico favorável a sua candidatura. A vantagem do Serra vem quando se agrega a grande parcela que não conhece a Dilma. Quando se neutraliza o efeito desconhecimento, ela já está na frente. Claro que há a suposição de que quando todos os que não a conhecem se comportarem de uma maneira pior para ela do que os primeiros, ela cai, mas se eles se comportarem de maneira mais favorável, ela sobe. E a composição do eleitorado que a desconhece lhe favorece. Tem menor escolaridade, mais Bolsa Família e que está na periferia dos grandes centros e nas regiões menos desenvolvidas.
Valor: Quem estaria então mais próximo do teto seria o Serra?
Coimbra: Sim, mas ele tem um piso muito alto.
Valor: O eleitorado no Brasil tem tido um descolamento entre escolaridade e renda. O que deriva disso?
Coimbra: A melhora no perfil do acesso à escola é muitas vezes mais acentuada do que a dos indicadores de desigualdade. Como houve nos últimos 20 anos uma melhoria grande no valor do salário mínimo, se a comparação é em termos de unidades de salário mínimo, pode-se ficar com um retrato inexato de que os pobres permaneceram nos mesmos lugares com a melhoria da renda, do poder de compra e a redução do preço de alguns produtos. O resultado é que todo mundo melhorou um pouco, mas mantendo a desigualdade.
Valor: Essa evolução da escolaridade favorece uma campanha mais temática, comparativamente a uma sucessão de ataques pessoais?
Coimbra: Essa evolução aponta para uma parcela cada vez maior de eleitores em condições de consumir informação mais qualificada e até esperando receber do jogo eleitoral mais do que uma dúzia de chavões e frases de efeito, mas é preciso atentar para o ritmo dessas mudanças sobre o resultado quando se tem o voto compulsório. Essas senhoras que não têm interesse, não têm informação, não se envolvem em questões político-eleitorais, vão votar. Em quase todos os países desenvolvidos do mundo, quem tem esse perfil não vota.
Valor: Essa evolução do grau de instrução não leva a uma decisão de voto que independe mais da classe?
Coimbra: Uma das coisas que aconteceram no Brasil nestes 25 anos de redemocratização é a formação de uma sociedade política em que as pessoas têm lado e partido. Eu sou isso, sou aquilo. E essa formação de identidade política atravessa essas dimensões socioeconômicas. Tem petista e tucano morando no mesmo prédio. O modo como se estruturam essas identidades não é clássico, não é em torno de partidos, não porque o brasileiro não goste de partido, mas porque não se permitiu que isso acontecesse.
Valor: Mas Lula insiste na estratificação entre pobres e ricos…
Coimbra: Ele sabe que isso não é a realidade. Você tem uma parcela não pequena das grandes fortunas brasileiras muito satisfeita com o atual governo. Dilma não vai ser votada pelos pobres e Serra pelos ricos.
Valor: Mas não foi isso que aconteceu entre Lula e Alckmin em 2006?
Coimbra: O mensalão estava muito presente. Cinco anos depois acredito que é um assunto vencido, não porque as pessoas tenham ficado satisfeitas com ele, mas porque foi digerido pela sociedade.
Valor: Por que o senhor vê Dilma como favorita?
Coimbra: Porque a maioria tem o sentimento a favor da continuidade, tem um envolvimento pequeno com a discussão política, com a comparação das propostas, das biografias e opta pelo modelo de decisão mais simples. Isso não é verdade no Brasil pelas nossas deficiências. Isso é verdade em todas as democracias. Ainda mais no regime de sufrágio universal e compulsório em que a parcela de eleitores de baixa ou pequena motivação é majoritária. Esses eleitores costumam preferir a escolha de custo menor que demanda menos tempo, menos stress e pode ser resumida numa pergunta tão simples como ” Você está satisfeito?”
Valor: A inércia pela continuidade será o determinante?
Coimbra: É claro que há brecha para mudança. Todo mundo lembra do que acabou de acontecer no Chile, onde uma presidente com 80% de aprovação não fez o sucessor, mas a Concertación estava há 20 anos no poder. No Brasil, o sentimento “está na hora de mudar” não comanda. Vide o PSDB que está há 16 anos no governo de São Paulo e tem um candidato que tem condições muito favoráveis. Vinte anos do PSDB no principal Estado da federação não causa espanto a ninguém. Por quê? Um candidato bom veio depois de um bom governo. No plano nacional, há um sentimento de que o outro lado teve décadas de poder. Em parte as pessoas acham que estes oito anos de PT ainda são pouco frente ao que a outra turma teve.
Valor: Mas a ideia da continuidade já teve grandes derrotas.
Coimbra: A ideia de continuidade funciona no Brasil em eleições municipais e estaduais. Agora vamos ter presidenciais. Não tínhamos tido em 1989 porque o Sarney não tinha candidato, em 1994 Itamar foi engolido pelo sucessor. Fernando Henrique perdeu porque não havia ali as condições que temos hoje, em que o desejo de continuidade é maioria. Serra era o candidato da continuidade numa eleição marcada pela mudança.
Valor: E agora ele é o candidato da mudança numa eleição marcada pela continuidade?
Coimbra: Sim, esse é o problema. Em 2002, 10% das pessoas diziam que o próximo presidente deveria manter tudo o que estava sendo feito e 40% diziam que o próximo deveria mudar tudo. Hoje esses números são inversos. Dilma é favorita por essa razão. Ser favorita não quer dizer ganhar, mas ter uma perspectiva muita positiva.
Valor: O discurso do pós-Lula, nessa análise, tem vida curta?
Coimbra: Quer dizer o quê? Vai manter ou vai mudar? Vai manter o que está certo e mudar o que está errado? Mas isso não quer dizer nada. Não convence.
Valor: Mas o slogan de ‘O Brasil pode mais’ não é uma tentativa de se contornar a continuidade?
Coimbra: Sim, para o eleitor atento. Essa proposta implica um elevado investimento pessoal no processo eleitoral. Você tem que aprofundar o conhecimento das propostas, o conhecimento minucioso do que foi feito e deixou de ser feito, identificar o que é realista e que pode ser feito no futuro, ou seja, exige um conjunto de características pessoais do eleitor que não são fáceis aqui nem em qualquer lugar do mundo.
PSDB fala mal do cozinheiro
Na falta de projetos e propostas, carentes de credibilidade, porque quando estiveram no governo federal foram pífios, os tucanos perdem o rumo na campanha eleitoral. Atacam a candidata de Lula, com aquele jeitão de homens sérios, muito dígnos, que enganam bem a classe média.
Um episódio engraçado foi a reação à pesquisa SENSUS. Sem poder contestar a contundência dos números, partiram para atacar o instituto responsável. É aquela coisa, quando a comida é muito boa, o jeito é falar mal do cozinheiro.
Um episódio engraçado foi a reação à pesquisa SENSUS. Sem poder contestar a contundência dos números, partiram para atacar o instituto responsável. É aquela coisa, quando a comida é muito boa, o jeito é falar mal do cozinheiro.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Países islâmicos têm todo o direito de retaliar a Globo
Manchete do jornal nacional: "camisa da seleção brasileira entregue ao homem que nega o holocausto". O "homem" é o presidente eleito do Irã. É uma manchete que denuncia uma posição preconceituosa contra os povos islâmicos. O Irã é o herdeiro de uma civilização milenar e orgulhosa, que tem disputas internas, como vários outros países. Como, por exemplo, os Estados Unidos, que até ontem não garantiam a saúde dos seus mais pobres - lá, diferente do Brasil, que tem SUS, pobre morria sem atendimento, quando ficava doernte.No nosso vizinho do norte, até hoje persitem sérias suspeitas de que Busch filho roubou as primeiras eleições que ganhou - todos os indícios confirmam isso, mas a Corte Suprema, fez o povo norte-americano engolir a fraude. É muito pareciso com o que os aiatolás impõem ao povo iraniano.Busch falou atrocidades e a Globo nunca criticou suas posições fascistas.Não será surpresa ver os países islâmicos retaliarem a Rede Globo. Será defesa contra o preconceito e a difamação.
Serra manda tirar do ar o site do PT
A truculência do Serra já começou. A empresa de técnicos em informática que ele contratou fez um ataque contra o Site do PT e o tirou do ar. No lugar aparece uma mensagem: "este site pode danificar o seu computador".
Serra aprendeu a sorrir, mas a sua truculência continua a mesma.
Serra aprendeu a sorrir, mas a sua truculência continua a mesma.
Mineiro vota em mineiro
Vai ser difícil para o José Serra lutar contra uma realidade que ele vai encontrar em Minas Gerais: Dilma é mineira. Ela nasceu em BH, é atleticana, frequentou os botecos da capital com o pessoal do clube da esquina e começou a militância política na Faculdade de Economia da UFMG. Foi lá que conheceu o ex-prefeito Fernando Pimentel.
Serra é paulista e palmeirense - um time que os mineiros, que vivem ao norte de Pouso Alegre, em geral não gostam. É truculento, um estilo rejeitado na política mineira; tem perfil muito elitista, o que não cabe no interior do estado. E, para ele, o Brasil civilizado se resume a São Paulo. O candidato dos milionários da avenida paulista não conhece Minas e Minas são muitas.
Certamente Serra vai procurar esconder quem ele é de fato. Mas, uma das características dos mineiros de verdade é a esperteza. Ninguém engana mineiro. E mineiro vota em mineiro.
Serra é paulista e palmeirense - um time que os mineiros, que vivem ao norte de Pouso Alegre, em geral não gostam. É truculento, um estilo rejeitado na política mineira; tem perfil muito elitista, o que não cabe no interior do estado. E, para ele, o Brasil civilizado se resume a São Paulo. O candidato dos milionários da avenida paulista não conhece Minas e Minas são muitas.
Certamente Serra vai procurar esconder quem ele é de fato. Mas, uma das características dos mineiros de verdade é a esperteza. Ninguém engana mineiro. E mineiro vota em mineiro.
domingo, 11 de abril de 2010
A mentira do Serra tem pernas curtas
Serra disse que quer a unidade do país. Ele mente. Das coisas mais básicas que a gente aprende nas escolas de ciências políticas é que os partidos que representam os setores mais ricos tentam negar o carater de classe da sociedade e simulam fazer um discurso para todos os setores sociais. Eles tentam fazer isso simplesmente porque são minoria, ou seja, o setor que representam é a menor parte da população e sozinho não tem condições de eleger um presidente da República. Então, eles tentam roubar eleitores dos partidos que representam outros setores da sociedade, princialmente das camadas mais pobres da população. Muitas vezes conseguem fazer isso com sucesso, porque os mais pobres normalmente são constituídos por aqueles indivíduos com menor bagagem cultural e, portanto, são mais facilmente enganados.
Mas, o discurso de que representam toda a sociedade, como diz o PSDB (com grande "cara de pau"), é uma mentira. No seu projeto de governo está exatamente manter as camadas mais pobres confinadas em uma vida de menor poder aquisitivo, pois assim eles mantém um grande estoque de mão de obra barata disponível para as empresas capitalistas.
Os benefícios que, muito eventualmente, disponibilizam para os mais pobres são resultado do temor que os mais ricos mantém de disturbios sociais; da necessidade de educar a mão de obra para a evolução tecnológica da economia; e a necessidade de parecer que de fato atendem aos interesses da maioria dos seus eleitores.
No entanto, as grandes linhas da economia sempre favorecem aos mais ricos. Por exemplo, o PSDB transformou as privatizações de empresas estatais em política de estado, sendo que a mairia delas só beneficiou os mais ricos - que compraram barato poderosos ativos industriais. As camadas pobres e médias da população, por seu lado, em geral foram prejudicadas, pois as privatizações provocaram aumento de tarifas e diminuição de fontes de investimento em programas de desenvolvimento sustentável.
A mentira do Serra tem pernas curtas.
Mas, o discurso de que representam toda a sociedade, como diz o PSDB (com grande "cara de pau"), é uma mentira. No seu projeto de governo está exatamente manter as camadas mais pobres confinadas em uma vida de menor poder aquisitivo, pois assim eles mantém um grande estoque de mão de obra barata disponível para as empresas capitalistas.
Os benefícios que, muito eventualmente, disponibilizam para os mais pobres são resultado do temor que os mais ricos mantém de disturbios sociais; da necessidade de educar a mão de obra para a evolução tecnológica da economia; e a necessidade de parecer que de fato atendem aos interesses da maioria dos seus eleitores.
No entanto, as grandes linhas da economia sempre favorecem aos mais ricos. Por exemplo, o PSDB transformou as privatizações de empresas estatais em política de estado, sendo que a mairia delas só beneficiou os mais ricos - que compraram barato poderosos ativos industriais. As camadas pobres e médias da população, por seu lado, em geral foram prejudicadas, pois as privatizações provocaram aumento de tarifas e diminuição de fontes de investimento em programas de desenvolvimento sustentável.
A mentira do Serra tem pernas curtas.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Michele
Fiquei devendo a musa da quinta. É uma das estrelas mais lindas ha história do cinema. uma beleza que marcou a minha geração. Michele Pfeifer.
terça-feira, 6 de abril de 2010
SOS Rio
Meu amado Rio afundou na tempestade. Uma pena. Uma cidade tão linda como aquela precisa da solidariedade e do apoio de todos brasileiros para se recuperar mais bonita, mais forte, mais resolvida.
O Rio que todos merecem.
O Rio que todos merecem.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Miss Atomo
Concurso realizado na Russia, com funcionárias de usinas nucleares. A última vencedora foi Ekaterina Bulgakova. Merecemos...
Farsa histórica
Estados Unidos: 5.736 ogivas nucleares.
Reino Unido: 700 ogivas nucleares.
França: 350 ogivas nuclaares.
Israel: 200 ogivas nucleares.
Rússia: mais de 7.000 ogivas nucleares.
Pergunta: qual a moral desse pessoal para pressionar o Irã. Depois de destruirem todo o arsenal que possuem, eles podem falar sobre o assunto. Antes, não passa de farsa.
Reino Unido: 700 ogivas nucleares.
França: 350 ogivas nuclaares.
Israel: 200 ogivas nucleares.
Rússia: mais de 7.000 ogivas nucleares.
Pergunta: qual a moral desse pessoal para pressionar o Irã. Depois de destruirem todo o arsenal que possuem, eles podem falar sobre o assunto. Antes, não passa de farsa.
Coisas que o Brasil faz pela primeira vez
Interessante e raro um debate veiculado pela Globonews sobre a Estratégia Brasileira de Defesa. Participaram os professores Gustavo Heck (ESG), Coronel Geraldo Cavagnari (UNICAMP), e o jornalista Roberto Godoy, sob o comando de Willian Waack.
Algumas afirmações são definitivas:
Algumas afirmações são definitivas:
- pela primeira vez o país conta com uma estratégia de defesa ampla, que incorpora todos os componentes estratégicos, desde o modelo de convocação da força, até a pesquisa tecnológica, passando pela capacidade industrial;
- o que se esquece no debate da compra dos caças (FX2) é que o país articula um modelo para ser a última vez em que vai importar aviões de combate, pois o brasil se prepara para fabricar a próxima geração de vetores aéreos de alto desempenho;
- o domínio tecnológico militar estimula o desenvolvimento econômico.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Refale e Superhornet em combate
Li em um site de assuntos militares, que o Rafale e o F 18 Superhornet se enfrentaram um um exercício conjunto das marinhas francesa e norte-americana. Foi uma simulação hi-tec, no qual os caças se enfrentavam em diversas situações e os computadores registravam o vencedor de cada ensaio, com manobras realistas. Placar final: Rafale 8 x Superhornet 2. Parece que o Brasil fez uma boa compra.
Quinta feira sem assunto
Quinta feira brava. Semana santa chegando, um pouco de ressaca. O galo joga mais tarde. Talvez dê algum comentário. Na falta do que falar, vai mais uma mulher interessante para adoçar a vista. Uma coroa e tanto...
Outra Fernanda, desta vez Young.
Outra Fernanda, desta vez Young.
quarta-feira, 31 de março de 2010
TSE despediça dinheiro público
O TSE lançou a sua campanha educativa para estimular o voto e as boas práticas democráticas. Como toda campanha do TSE esta também parece uma vacina velha: é inócua. Ou seja, não faz efeito.
Interessante é que o TSE faz pesquisas todos os anos e, depois de tanto tempo, deveria conhecer melhor o eleitor brasileiro. Parece que não aprendeu com as informações das pesquisas, pois lançou uma campanha com temática pobre, sem capacidade de chamar atenção das pessoas e com mensagens sem qualquer criatividade.
É mais um caso de dinheiro público jogado fora.
Interessante é que o TSE faz pesquisas todos os anos e, depois de tanto tempo, deveria conhecer melhor o eleitor brasileiro. Parece que não aprendeu com as informações das pesquisas, pois lançou uma campanha com temática pobre, sem capacidade de chamar atenção das pessoas e com mensagens sem qualquer criatividade.
É mais um caso de dinheiro público jogado fora.
terça-feira, 30 de março de 2010
Seriedade para enganar
Eles parecem senhores (senhoras) muito sérios, muito compenetrados. Ternos sóbrios, roupas femininas formais, cabelos masculinos e femininos clássicos. Pela forma à qual se apresentam, procuram transmitir que o que falam é verdade e não há nenhum subterfúgio por traz do que dizem.
Assim, com uma aparência muito digna, extremamente respeitosa, os apresentadores dos principais jornais da TV Globo e da Globonews, tentam enganar os brasileiros, para que eles acreditem que a versão dos fatos apresentada por eles é a verdade.
Uma das obras primas do cinema, "O homem que matou o facínora", ensina que o jornalismo não trata necessariamente da verdade, mas de versões do que acontece. A verdade nem sempre é publicada ou vai ao ar, na maioria das vezes sacrificada por versões que vendem mais a notícia. Há também o sacrifício da verdade por interesses econômicos e políticos. Um exemplo do sacrifício econômico acorreu na cobertura inicial do naufrágio do Exxon Valdez, no Alasca, um acidente que quase destruiu um importante sistema ecológico. No início, as notícias afirmavam que havia sido um incidente de pequena monta, apenas digno de notas de pé de página. A verdadeira dimensão da tragédia só alcançou as primeiras páginas, depois que entidades de ambientalistas realizaram manifestações e divulgaram filmes independentes no local, com imagens chocantes da destruição da fauna, inclusive tendo inesquecíveis sequências de focas e aves cobertas por camadas de petróleo.
Na política, os brasileiros já se acostumaram a ver a cobertura parcial e engajada da Globo em sucessivas eleições. Ganhou com Fernando Collor e Fernando Henrique; perdeu duas para Lula.
Não há nada de errado em um veículo de comunicação assumir uma posição política. O que é errado é esconder essa posição política dos seus leitores e expectadores. Essa atitude é evitada nas democracias mais consolidadas, como Estados Unidos, países da Europa Ocidental e Japão, onde os veículos assumem publicamente suas escolhas políticas, sem procurar enganar os eleitores.
No Brasil os veículos não se preocupam em informar o público de suas posições políticas e se apresentam como "neutros". Essa atitude engana os consumidores desses veículos e permite a prática sutil, porém aberta, de campanha eleitoral.
Normalmente essa prática não atinge as camadas econômicas mais baixas, pois esse público constituído pela maioria dos brasileiros não consome esses meios de comunicação ou simplesmente não acredita neles, pois suas notícias entram em contradição com as suas referências de vida.
O publico influenciado é o setor culturalmente deficiente da classe média, constituído de pessoas que só obtém as suas referências do mundo através de meios de comunicação que divulgam informações com baixo nível de profundidade analítica, como a revista Veja, o jornal Folha de São Paulo e a Globo. São pessoas que não lêem livros, nem consomem produtos culturais mais elaborados e são gradativamente transformados na massa de manobra dos partidos conservadores, como o PSDB e o DEM.
Sob a aparência de procedimentos sérios, os comentaristas dos veículos citados proferem informações distorcidas e análises equivocadas, destinadas mais a influenciar do que a informar. Os comentaristas sérios; que não se enquadram nesse modelo, como Emir Sader; são evitados ou afastados, quando não se enquadram aos propósitos das empresas de comunicação.
Assim, com uma aparência muito digna, extremamente respeitosa, os apresentadores dos principais jornais da TV Globo e da Globonews, tentam enganar os brasileiros, para que eles acreditem que a versão dos fatos apresentada por eles é a verdade.
Uma das obras primas do cinema, "O homem que matou o facínora", ensina que o jornalismo não trata necessariamente da verdade, mas de versões do que acontece. A verdade nem sempre é publicada ou vai ao ar, na maioria das vezes sacrificada por versões que vendem mais a notícia. Há também o sacrifício da verdade por interesses econômicos e políticos. Um exemplo do sacrifício econômico acorreu na cobertura inicial do naufrágio do Exxon Valdez, no Alasca, um acidente que quase destruiu um importante sistema ecológico. No início, as notícias afirmavam que havia sido um incidente de pequena monta, apenas digno de notas de pé de página. A verdadeira dimensão da tragédia só alcançou as primeiras páginas, depois que entidades de ambientalistas realizaram manifestações e divulgaram filmes independentes no local, com imagens chocantes da destruição da fauna, inclusive tendo inesquecíveis sequências de focas e aves cobertas por camadas de petróleo.
Na política, os brasileiros já se acostumaram a ver a cobertura parcial e engajada da Globo em sucessivas eleições. Ganhou com Fernando Collor e Fernando Henrique; perdeu duas para Lula.
Não há nada de errado em um veículo de comunicação assumir uma posição política. O que é errado é esconder essa posição política dos seus leitores e expectadores. Essa atitude é evitada nas democracias mais consolidadas, como Estados Unidos, países da Europa Ocidental e Japão, onde os veículos assumem publicamente suas escolhas políticas, sem procurar enganar os eleitores.
No Brasil os veículos não se preocupam em informar o público de suas posições políticas e se apresentam como "neutros". Essa atitude engana os consumidores desses veículos e permite a prática sutil, porém aberta, de campanha eleitoral.
Normalmente essa prática não atinge as camadas econômicas mais baixas, pois esse público constituído pela maioria dos brasileiros não consome esses meios de comunicação ou simplesmente não acredita neles, pois suas notícias entram em contradição com as suas referências de vida.
O publico influenciado é o setor culturalmente deficiente da classe média, constituído de pessoas que só obtém as suas referências do mundo através de meios de comunicação que divulgam informações com baixo nível de profundidade analítica, como a revista Veja, o jornal Folha de São Paulo e a Globo. São pessoas que não lêem livros, nem consomem produtos culturais mais elaborados e são gradativamente transformados na massa de manobra dos partidos conservadores, como o PSDB e o DEM.
Sob a aparência de procedimentos sérios, os comentaristas dos veículos citados proferem informações distorcidas e análises equivocadas, destinadas mais a influenciar do que a informar. Os comentaristas sérios; que não se enquadram nesse modelo, como Emir Sader; são evitados ou afastados, quando não se enquadram aos propósitos das empresas de comunicação.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Stalinista não muda
Pessoas de direita, que foram de esquerda com formação stalinista, são realmente perigosas. Outro dia ouvindo uma rádio, pela manhã, enquanto corria, escutei um comentário de dois cabos eleitorais do Serra, a ex-PCdoB Míriam Leitão e o pseudo-economista sei lá o que Sardenberg. Leitão eu sei que teve uma sólida formação stalinista no PCdoB, já o arremedo de economista eu só sei que é de direita, com uma bruta nostalgia do autoritarismo e um imenso nojo de povo.
A conversa deles é de dois capitães do mato da direita, mas a estrutura é absolutamente stalinista: insistem, dia após dia, na tese do "quanto pior, melhor". O melhor da esquerda Brasileira, Lula incluso, desde os seus tempos de sindicalista, nunca compartilhou dessa tese. Os quadros marxistas de qualidade sempre tiveram referências no velho filosofo alemão, que defendia a necessidade de avanços econômicos e tecnológicos para preparar terreno para o socialismo. Lula, por seu lado, nunca foi marxista, porém sempre foi dono de um instinto fora do normal e isso fez com que percebesse a necessidade de sempre lutar pelas melhores condições de vida. Para ele, quanto melhor, melhor.
Do outro lado, os equivocados do pecedobêzão sempre insistiram na tese do "quanto pior, melhor". Sempre foi um partido maluco, que resolveu imitar os cubanos ao instalar um foco revolucionário no Pará. Se deram mal na aventura, por não ter previsto na sua aventura coisas básicas, como, por exemplo, de comparar o mapa do Brasil, um país imenso, com o de Cuba, uma pequena ilha do Caribe. Algumas viúvas do episódio defendem que a estratégia do partido era baseada a Guerra Popular Prolongada, coisa também absurda de quem não sabe que estratégias maoístas só funcionam em circunstâncias históricas que permitem a montagem de grandes exércitos revolucionários.
Mas, o assunto é a Leitão. Ela foi formada para a vida no que há de pior na esquerda brasileira e continua uma exercendo a sua atividade política de direita seguindo as mesmas regras. Além de ser ridicularizada nos meios acadêmicos pelas bobagens que fala, ela desmoraliza o pensamento de direita a cada comentário.
A conversa deles é de dois capitães do mato da direita, mas a estrutura é absolutamente stalinista: insistem, dia após dia, na tese do "quanto pior, melhor". O melhor da esquerda Brasileira, Lula incluso, desde os seus tempos de sindicalista, nunca compartilhou dessa tese. Os quadros marxistas de qualidade sempre tiveram referências no velho filosofo alemão, que defendia a necessidade de avanços econômicos e tecnológicos para preparar terreno para o socialismo. Lula, por seu lado, nunca foi marxista, porém sempre foi dono de um instinto fora do normal e isso fez com que percebesse a necessidade de sempre lutar pelas melhores condições de vida. Para ele, quanto melhor, melhor.
Do outro lado, os equivocados do pecedobêzão sempre insistiram na tese do "quanto pior, melhor". Sempre foi um partido maluco, que resolveu imitar os cubanos ao instalar um foco revolucionário no Pará. Se deram mal na aventura, por não ter previsto na sua aventura coisas básicas, como, por exemplo, de comparar o mapa do Brasil, um país imenso, com o de Cuba, uma pequena ilha do Caribe. Algumas viúvas do episódio defendem que a estratégia do partido era baseada a Guerra Popular Prolongada, coisa também absurda de quem não sabe que estratégias maoístas só funcionam em circunstâncias históricas que permitem a montagem de grandes exércitos revolucionários.
Mas, o assunto é a Leitão. Ela foi formada para a vida no que há de pior na esquerda brasileira e continua uma exercendo a sua atividade política de direita seguindo as mesmas regras. Além de ser ridicularizada nos meios acadêmicos pelas bobagens que fala, ela desmoraliza o pensamento de direita a cada comentário.
Pesquisa alerta o PT
A pesquisa Datafolha, embora seja de um instituto afinado com a base de apoio ao Governador de São Paulo, teve alguns efeitos positivos para a candidatura Dilma. Embora os textos da Folha de São Paulo tenham distorcido alguns dados, por exemplo, quando afirmam que apoiadores de Lula se dividem entre as duas principais candidaturas a presidente. Trata-se de uma informação imprecisa, pois o jornal omite outra informação complementar, que indica outra conclusão importante: Serra e Dilma dividem o apoio dos que aprovam Lula, somente quando muitos eleitores não sabem que a ministra é apoiada pelo presidente. Quando perguntados se votariam em um candidato indicado por Lula. a grande maioria indica essa possibilidade.
A análise completa dos dados leva à conclusão de que, quando a campanha começar e o presidente assumir o apoio á sua candidata, sem as amarras da lei eleitoral, uma nova realidade, mais favorável à ministra se mostrará. Essa possibilidade inclusive é reforçada pelo fato de que nem mesmo a maioria dos cerca de 20% dos eleitores brasileiros que dizem ter simpatia pelo PT sabem que Dilma é a candidata do partido.
O fato é que Dilma tenta ocupar espaços, mas ainda está sob severas restrições do Tribunal Eleitoral e não tem o apoio dos grandes veículos de comunicação que fazem campanha para Serra há quatro anos. Nesse cenário, é surpreendente a boa posição da Ministra nas pesquisas, inclusive considerando que ela é uma figura relativamente nova na política.
Como a maioria das pessoas, inclusive políticos de alto escalão, não entende muita coisa de pesquisas, os números divulgados pela Folha deverão ter um impacto saudável na base de apoio da Ministra. Arrefece o clima de "já ganhou", reitera que será uma campanha muito difícil, coibe as lutas internas e indica que o trabalho será exaustivo.
A análise completa dos dados leva à conclusão de que, quando a campanha começar e o presidente assumir o apoio á sua candidata, sem as amarras da lei eleitoral, uma nova realidade, mais favorável à ministra se mostrará. Essa possibilidade inclusive é reforçada pelo fato de que nem mesmo a maioria dos cerca de 20% dos eleitores brasileiros que dizem ter simpatia pelo PT sabem que Dilma é a candidata do partido.
O fato é que Dilma tenta ocupar espaços, mas ainda está sob severas restrições do Tribunal Eleitoral e não tem o apoio dos grandes veículos de comunicação que fazem campanha para Serra há quatro anos. Nesse cenário, é surpreendente a boa posição da Ministra nas pesquisas, inclusive considerando que ela é uma figura relativamente nova na política.
Como a maioria das pessoas, inclusive políticos de alto escalão, não entende muita coisa de pesquisas, os números divulgados pela Folha deverão ter um impacto saudável na base de apoio da Ministra. Arrefece o clima de "já ganhou", reitera que será uma campanha muito difícil, coibe as lutas internas e indica que o trabalho será exaustivo.
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